Crônica · Houston
Sons

Agora: 21:25 em Houston. Me sinto em sons, subindo, lua azul, harmonia, pianos, futuro, nunca futuro.
Tum, tum e tum.
Vejo a chuva caindo sobre mim. Vejo minha mãe em sua leitura, sua janela, sua perna cruzada e me dizendo o que era certo. Nunca escutei.
Hoje eles são placas num jardim. Hoje, já não sei. Hoje sinto sono e acordo num mundo que não sonhei. Hoje me sinto ontem, me sinto que passei; passou. Sou mais passado que presente.
Ontem são palavras na parede, são retratos duma revolução que nunca veio, são flores num jardim sem luz, sem água, sem semente.
A semente não nasceu. Acordo para ver que morremos neste mundo do qual não somos mais parte.
Quando bebo cerveja, me sinto assim, mas dura só até o amanhecer.