Crônica · Houston

Um Líbano na parede

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Litoral rochoso de Beirute visto de perto, com o mar ao fundo
Imagem temática. Litoral de Beirute, Líbano. Fotografia de Oussama Tahmaz / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Estou aqui, aqui no meu escritório, e chove lá fora. Inverno com rua escura, com a solidão americana, com a indiferença do existir.

O Líbano está lá, na parede, na memória, no passado, nos vinhos com amigos de Byblos, de Batrum, de Sidon. 5 mil anos de história, e lá está o Líbano.

Para mim, na parede da memória, está a guerra perdida. Eu vivi, não me contaram. Guerra perdida, guerra inútil, guerra só sendo guerra. Lembro da voz de Iolanda, lembro do fim do caminho e, quando chegamos, não tinha mais volta. Lembro do dia em que a terra tremeu, a morte chegou e o sol nasceu no meio da noite.

Hoje, fugi. Estou no lado inverso do reverso, e nova guerra surge do nós contra eles.

Me param na rua:

– Ei, você? De onde você é?

– Não sou daqui nem sou de lá.

Como me sinto assim. À noite me vejo com asas, voando, escapando, sobre longos vales verdes, luas e penhascos.

Ontem alguém me disse que gostou do meu livro. Viver valeu a pena.

Agora vou dormir. Boa noite a todos, e, quando acordarmos, o novo dia nos perguntará se queremos ser diferentes.

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