Poema · Líbano
Líbano, uma saudade profunda

Minhas raízes.
Tudo aquilo que ouso chamar de “eu” tem nome de Líbano.
Saí na esteira de uma guerra que nunca compreendi.
Saí sem entender os homens, os gritos, as razões.
Chorei.
Há um lugar no mundo que pulsa como meu próprio sangue,
e esse lugar é o Líbano.
Voltarei às coisas que deixei —
às ruas que guardam meus passos,
às paredes que ouviram minhas ideias nascerem,
à terra onde escrevi meu livro
e aprendi que somos todos iguais sob o mesmo céu inquieto.
Terra de múltiplas lutas.
Montanhas que nos elevam aos fenícios,
aos assírios, aos persas, aos faraós.
Tantos impérios passaram por essas pedras antigas.
Todos passaram.
Mas não passarão sobre a alma libanesa.
Vi a guerra.
Vi o chão tremer sob meus pés.
Vi Nashala morrer.
E ainda assim, o Líbano permanece.
Quero voltar às praias que respiram sal e memória,
aos vinhos que carregam o peso doce das colinas,
aos campos, aos vales,
às neves que silenciam o mundo por instantes,
às flores que insistem em nascer sobre ruínas.
O Líbano sempre nos ensina novas lições.
Duras, profundas, inevitáveis.
E eu sigo aprendendo —
mesmo longe —
que minha identidade tem montanhas,
que minha saudade tem mar,
e que meu nome ecoa
na voz antiga
da terra que me formou.